AVANÇOS NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA AO FUMO


 

1.Terapias de reposição de nicotina (TRN)

 

1a. Chicletes: Nicorette ( 2 e 4 mg ) e Niquitin ( 2 mg )

       10 a 15 gomas / dia, mascando por 30 minutos cada chiclete

1b. Adesivos - Nicotina transdérmica: Nicotinell TTS (30, 20 e 10 mg)

        1 adesivo / 24 hs. Pode ser usado por 1 ano ou até mais, inclusive entre praticantes de esporte.

        30 mg = 20 cigarros /dia

        Programa: utilizar cada dosagem do adesivo por 4 semanas (12 semanas)

1c. Combinado de adesivos e chicletes

        Maior alívio dos sintomas de abstinência.

        1 adesivo por 16 hs + 4 a 10 chicletes de 2 mg por dia.

1d. Spray nasal

1e. Inalante

Em pacientes com DAC lembrar que a nicotina provoca constrição coronária, arritmias e aumenta a demanda cardíaca. O IAM está mais relacionado à aspiração de monóxido de carbono ocasionando menor oxigenação miocárdica, portanto com história pregressa de IAM a TRN é discutível.

 

Em gestantes, TRN é melhor que continuar fumando, pois é por tempo limitado.

 

2. Terapêutica farmacológica

 

2a. Bupropiona

        Antidepressivo atípico com ações noradrenérgica e dopaminérgica: diminui o desejo de fumar.

        Eficaz como monoterapia na dose total diária de 300 mg.

        Iniciar com 150 mg (1 comprimido pela manhã 3 a 4 dias). Se bem tolerado 150 mg 2 x / dia com intervalo de no mínimo 8hs. Pode dar insônia. Iniciar 1 semana antes da abstinência, até que atinja níveis plasmáticos constantes.

        Efeitos colaterais: insônia, boca seca, cefaléia, rush cutâneo e urticária. Continuar o uso da medicação (300 mg ) por 3 a 4 meses. Pode-se continuar com TRN principalmente em fumantes que recaíram ou não alcançaram a abstinência. Um benefício sobre as outras terapias é o menor ganho de peso.

        Mecanismo fisiológico: ação inibidora da recaptação de dopamina e noradrenalina, já que a nicotina eleva os níveis de dopamina cerebral. A ação dopaminérgica diminui a propriedade reforçadora da nicotina e sua atividade noradrenérgica no locus ceruleus diminui os sintomas de abstinência.

        Deve-se rastrear fumantes com história de convulsões, anorexia, etilismo pesado ou traumatismo craniano.

2 b. Nortriptilina

        Antidepressivo noradrenérgico. Doses de 50 a 100 mg. Iniciar com 25 mg e aumentar 25 mg a cada 2 dias. Parar de fumar após a 4a. semana.

 

TRATAMENTOS DIFERENCIADOS E PERSONALIZADOS

 

Inquirir sobre métodos anteriores, nº de tentativas e o que funcionou satisfatoriamente. Não repetir tratamentos fracassados. Mostrar as opções terapêuticas, vantagens e desvantagens e deixar o paciente escolher o tratamento.

Instruir corretamente o fumante no uso da opção, ajustar as doses para o alívio dos sintomas de abstinência. O paciente deve retornar após 2 semanas para ajuste da medicação ou associar TRN. Caso não se obtenha a abstinência em 4 semanas, suspender a medicação e reavaliar o tratamento.

 

CONCLUSÃO

 

O tratamento da dependência à nicotina é eficaz, sendo importante o acompanhamento psicológico associado; a farmacoterapia deve ser levada em consideração em todos os casos. Nenhum dos tratamentos produziu evidências de superioridade em termos de eficácia ou perfil de eventos adversos, sendo que a preferência dos pacientes deve constituir a base principal para a escolha entre os tratamentos.

Para o futuro serão importantes estudos que comparem os tratamentos ou que testem as teorias de adequação dos pacientes aos tratamentos. O profissional de saúde exerce um papel chave no estímulo ao paciente para parar de fumar.

Os próximos 5 anos serão um período especialmente crucial para que os médicos se mantenham informados a respeito das farmacoterapias para cessação do hábito de fumar e para reivindicarem a cobertura e o reembolso do tratamento.

Com a consagração da eficiência dos tratamentos e da repercussão econômica para a Saúde Pública, seria uma vergonha se os médicos não utilizassem este conhecimento para ajudar seus pacientes para a mudança mais importante para sua saúde: parar de fumar.